quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Acordei, olhei para o lado e não te vi. Confesso que foi estranho no começo, mas hoje já me acostumei. Não, não me acostumei a não te encontrar ali. Me acostumei a sua falta, da mesma maneira que era acostumado com sua presença. Na verdade, hoje, não sentir a sua falta seria como sair para trabalhar e esquecer algo importante em casa. Lembrar de você já é parte da rotina.

Você é daquele tipo que sai sem bater a porta. Aliás, prefere manter a porta sempre aberta, para que possa voltar quando quiser, de novo, se quiser. Deixa a porta aberta e não olha para trás. Nem percebe enquanto te observo se afastar, deixando aqui os nossos dias, os nossos sonhos, mas levando o melhor deles: o nós. Porque não existe mais “nós”, sem você. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Um dia a gente acorda e vê que mesmo acreditando que temos alguém continuamos a caminhar sozinhos...
Ainda não consegui uma forma de mandar em meus sentimentos, mas na minha razão, eu ainda mando...
e embora as vezes demore para caminhar, quando começo, não volto atrás...
cansei de amar sozinho.
Procurarei outros horizontes, já que o que habito hoje não me inspira mais!
Existe mais felicidades a serem cultivadas nesse mundo, do que tristezas a serem colhidas!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Obrigado.

Adeus. Percebi hoje que saí sem dizê-lo. Percebi só agora, que nossa história acabou, mas não foi encerrada. Até dizer “adeus”, eu permaneço em débito com você. Quebrei a primeira regra da boa educação, me esqueci das palavrinhas mágicas. Educação nunca foi nosso forte. A intensidade não nos deu tempo para as formalidades. O amor é mesmo meio desbocado.

Por favor, não perca a doçura com a qual lê Clarice Lispector, nem perca o brilho nos olhos quando é Natal. Por favor, continue pensando longe enquanto cozinha, continue tomando seus banhos demorados, continue se divertindo enquanto lava o carro. Por favor, tenha na agenda mais contatos de amigos que de deliverys.

Por favor, viva amores ainda mais loucos. Sim, tem gente bem mais maluca que eu no mercado. Se apaixone perdidamente por um chinês de fala engraçada, um francês refinado e falante e logo depois, se entregue também para um geek cheio de humor. Não se preocupe em entender se é amor ou paixão, você mesmo me ensinou que estas são definições rasas para traduzir a vontade de estar junto ou não.

Assim como saí sem dizer “adeus”, você entrou sem pedir licença. Num dia comum, um sábado cinza, você pediu companhia para ir até o supermercado e eu implorei que, por favor, não me deixasse sozinho, nunca mais. Eu nunca soube ser só. E, irônicamente, também nunca aprendi a ser tão seu quanto você queria. Eu não queria ser solitário, nem queria ser teu. Queria ser meu, contigo. Me desculpe.

Eu me despedi de você enquanto o carro se afastava do nosso antigo bairro, me despedi enquanto chorava no banho, enquanto comprava roupas novas que você jamais aprovaria. Me despedi enquanto quebrava suas regras, que não se aplicavam mais a mim. Me despedi, quando tive vontade de ligar e não liguei, quando quis responder a você chamando e não o fiz. Me despedi, mas não disse “adeus”, ainda.

Digo que saí sem me despedir, porque as últimas palavras mágicas da boa educação, ensinadas por nossas mães, logo após “por favor” ,“com licença “ e  “desculpe-me” não é “adeus”, mas “obrigado”. Obrigado, Pequeno.

Adeus.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Você passa, eu acho graça. Nessa vida tudo passa e você também passou.
Dentre as flores, você era a mais bela, minha rosa amarela, que desfolhou, perdeu a cor...
O tempo passa, e com ele a dor. Pois nessa vida tudo passa, até o amor.

sábado, 8 de junho de 2013

"Eu gostava do Jobim e ele do Vinícius. Eu gostava do Cazuza e ele do Frejat. Eu gostava do Radiohead e ele do Coldplay. Nossos gostos nunca se gostavam. E a gente nunca conseguia encontrar uma música para que pudéssemos dançar juntos. Até que um dia ele afastou os móveis da sala, botou um CD virgem no rádio e apertou o play e me disse sorrindo “vem, dança comigo até a música acabar”. Eu fui. Sem entender. E lá estou eu. Dançando com o rosto colado no dele uma música infinita feita de silêncio. Um silêncio que nunca acaba. Vez enquando surge uma vontade enorme de cortar o silêncio com um “eu te amo”, mas contenho. Então beijo a boca dele e copio o amor de dentro de mim para dentro dele. Ele sorri como quem entende o recado. A música feita de silêncio vai ter a duração exata que tem o que a gente sente um pelo outro. Porque amor é isso, seu moço, um silêncio que dura eternamente até que um “adeus” quebre."

sexta-feira, 7 de junho de 2013

=)

- E se eu te encontrasse na porta dum desses paraísos com entrada individual, cê me deixava?

- Eu nem passo da porta. A gente não viveu de paraísos antes, não tem porque viver agora.

- Mas você não quer largar mão dessas coisas todas que só dão dor de cabeça e economizar na conta da farmácia?

- Eu não largo mão de você. Nem da confusão dos seus olhos.

- Meus olhos?

- Seus.

- O que têm eles?

- São azuis.

- Verdes…

- Você não tá vendo a luz batendo neles agora e nem adianta dizer que eles são estáticos. A cor muda, o mundo muda. Só nós dois é que tínhamos lá uma breve inclinação pra inércia…

- E isso é ruim?

- Seus olhos?

- Não. A gente.

- Não é ruim porque a gente se entendeu num inferno. A gente não conheceu paraíso por conta de tudo um pouco. A lavanderia do apartamento, por exemplo, era pequena demais. A gente podia ter mudado de lá pra cá.

- Mas a gente mudou…

- Eu sei. Demais até.

- E você queria ficar perto do trabalho pra ir de bicicleta. Por isso a gente nunca trocou de apartamento. Você me atropelou um dia desses e ainda me chamou de pedestre estúpido, lembra?.

- A gente já começou com ódio. Eu teria socado a sua cara se você não tivesse deixado cair aquele livro do Bukowski. A gente tinha alguma coisa em comum e eu considerei o incidente um esbarrão.

- O meu joelho ficou esfolado e você era bonito demais pra eu ficar com raiva. Lembro que choveu mais tarde.

- E você me beijou. De barba mesmo. Nem deu tempo de tirar pra me mostrar mais apresentável. Mas gostei daquilo.

- Da barba ou do beijo?

- De você.

- Não me lembro direito, mas você mentiu sobre saber cozinhar. Eu descobri as caixas de comida no dia seguinte. Acordei, fui tirar o seu lixo e vi.

- E não me desmascarou no primeiro encontro por quê?

- Porque eu vi uns discos na sua estante e achei bacana o modo como você guarda as suas coisas, embaladas em saquinhos transparentes pra não pegarem pó. Vi o seu banheiro e o seu quarto arrumado e tudo aquilo fazia parecer que você tinha um zelo gigante pelo o que preza.

- Você se apaixonou pela minha mania de organização?

- Não. Eu queria ser cuidado como aqueles discos. Não pra ficar na sua estante, mas pra ser tocado, ouvido, sentido… E achei que você tinha me olhado com tanta ternura quando me deu boa noite que eu me sentiria bem ali. No seu espaço. Com o seu braço por cima e uma caneca de café. Eu gosto de café quente e dos seus óculos quadradões. Refletem bem a sua personalidade.

- Você gosta mais de mim do que os outros caras que eu tenho conhecido. Eles gostam do meu rosto ou da minha tatuagem. Gostam de uns papos sobre Dostoievski e Pushkin e leem umas coisas que eu não leria nem por obrigação. Eles gostam da minha segurança na hora de falar e do meu abraço forte. Mas acho que você foi o único que gostou do meu rubor e dos meus jeitos.

- Eu gostei de você. Com medo, mas gostei. Achei engraçado o seu rubor por eu ter te roubado um beijo naquele dia. Mas logo depois você deitou comigo e a gente dormiu.

- Eu sempre mando os outros caras embora antes do amanhecer. E não jogo o braço por cima deles. Eu nunca quis dormir com nenhum deles.

- E por que você tá me falando disso agora?

- Porque eu não desisto de você. Não ainda. A falta anda sozinha e eu fico pensando demais numas coisas em que eu não deveria pensar sem você.

- O ogro se livrou da casca?

- Com você eu nunca tive casca. Eu fui com medo. Mas fui. E eu nunca senti a confusão da cor dos olhos de mais ninguém. Até mudei a forma de guardar os meus discos depois de você.

- Mudou? Achei que nunca fosse mudar. E que ia continuar guardando discos e pessoas na sua estante.

- Mudei. E comprei uns discos novos. Passa lá em casa pra ouvir um pouco deles. Tem café também.

- Mas você odeia café.

- Não se tiver você.

- Eu tenho medo. De parar de novo na sua estante. De arruinar a sua coleção e os seus modos. De não conhecer mais as suas tatuagens e o seu hábito de mascar chicletes o tempo todo. De ter que dormir sozinho – e tá chovendo lá fora. Não sei se arrisco a solidão de um edredom a dois. Eu tenho medo de quebrar os seus discos novos como da última vez.

- Pode deixar que eu tomo cuidado dessa vez.

- Com os discos?

- Não. Com você.



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domingo, 7 de abril de 2013

Que tal, em?

Que tal então, a gente faz assim
você volta, diz que sente saudade
me fala tudo que eu tanto espero
me rouba um beijo, e um abraço sincero
tira de nós essa louca vontade
e entende de vez, que não vive sem mim.