O inverno chegou
e não quis passar
entrou no peito
em seu lugar
Onde era calor
o vento sopra
pois do teu amor
só tive sobra
O inverno chegou
e quis ficar
e aqui nem o Sol
consegue brilhar
Só sinto o frio
e o vento cortar
a ferida que abriu
por voce me deixar...
segunda-feira, 25 de junho de 2012
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Carta ao amor que nunca conheci
Carta ao Amor que não conheci...
E o cair da noite me inspira a lembrar...
Lembrar de tudo o que vivemos, das alegrias, das dificuldades, da calmaria que é te amar....
Sabe, acredito que se não fosse você, eu não seria este eu que sou. Você me acorda com um cafuné singelo e sorri quando abro os olhos. Durante o banho, você encosta sua cabeça na parede, e sorri em silêncio enquanto eu brigo com o shampoo que não sai do recipiente. E durante o café, enquanto você grita em fúria com a cafeteira, eu rio descontroladamente mandando que compre outra.
Você não me aprisiona, nem o tenta. Sabe que minha alma é livre e sempre será. Você confia em quem sou, no que sinto, e no que falo. Você sabe que mesmo sendo livre, eternamente serei teu. Pois é você quem eu procuro quando as lágrimas inundam meus olhos, é você quem permanece em silêncio enquanto grito meus momentos de ira (afinal, você sabe que odeio ser interrompido). Quando acordo assustado na noite, á você quem atende minha ligação desinibida. E quando adormecemos juntos, é o seu carinho que me conforta, e o seu olhar a [única coisa que me importa. Você não diz que me ama constantemente, pois sabe que isso me incomoda. Você sabe me deixar solto e me controlar ao mesmo tempo, pois assim que percebo que minhas rédeas foram soltas, esperneio, dou coices e fujo correndo. E você sabe cuidar disso, sabe me deixar livre sem que seja em exagero,e sabe me controlar, sem que se torne possessão.
Ninguém é perfeito, até que você se apaixone. Pois é, mesmo sem me apaixonar, sabia que você era minha perfeição. Era você a pessoa que sempre sonhei, que sempre quis ao meu lado. E os momentos divididos com você, permanecem aqui, eternizados. Você enxergou além do gênio forte e da impaciência, conseguiu ver o meu coração acima de qualquer outra característica. Você está comigo por quem eu sou aqui dentro, e não pelo que tenho ou pelo que posso lhe proporcionar material e moralmente. Você não quer estar comigo apenas para brilhar, para aparecer. Você quer ficar ao meu lado, pois sabe que quando avisto uma estrela no céu, olho fundo em seus olhos e digo, sorrindo: “eu amo você”.
Te ter aqui comigo é a realização de meu sonho!
Infelizmente, continuo apenas sonhando, acordado ou dormindo, e sempre me deparando com a realidade atormentadora em que vivo.
Você é meu amor perfeito, o triste de tudo, é que ainda não te conheci...
Raul Sobral Júnior
E o cair da noite me inspira a lembrar...
Lembrar de tudo o que vivemos, das alegrias, das dificuldades, da calmaria que é te amar....
Sabe, acredito que se não fosse você, eu não seria este eu que sou. Você me acorda com um cafuné singelo e sorri quando abro os olhos. Durante o banho, você encosta sua cabeça na parede, e sorri em silêncio enquanto eu brigo com o shampoo que não sai do recipiente. E durante o café, enquanto você grita em fúria com a cafeteira, eu rio descontroladamente mandando que compre outra.
Você não me aprisiona, nem o tenta. Sabe que minha alma é livre e sempre será. Você confia em quem sou, no que sinto, e no que falo. Você sabe que mesmo sendo livre, eternamente serei teu. Pois é você quem eu procuro quando as lágrimas inundam meus olhos, é você quem permanece em silêncio enquanto grito meus momentos de ira (afinal, você sabe que odeio ser interrompido). Quando acordo assustado na noite, á você quem atende minha ligação desinibida. E quando adormecemos juntos, é o seu carinho que me conforta, e o seu olhar a [única coisa que me importa. Você não diz que me ama constantemente, pois sabe que isso me incomoda. Você sabe me deixar solto e me controlar ao mesmo tempo, pois assim que percebo que minhas rédeas foram soltas, esperneio, dou coices e fujo correndo. E você sabe cuidar disso, sabe me deixar livre sem que seja em exagero,e sabe me controlar, sem que se torne possessão.
Ninguém é perfeito, até que você se apaixone. Pois é, mesmo sem me apaixonar, sabia que você era minha perfeição. Era você a pessoa que sempre sonhei, que sempre quis ao meu lado. E os momentos divididos com você, permanecem aqui, eternizados. Você enxergou além do gênio forte e da impaciência, conseguiu ver o meu coração acima de qualquer outra característica. Você está comigo por quem eu sou aqui dentro, e não pelo que tenho ou pelo que posso lhe proporcionar material e moralmente. Você não quer estar comigo apenas para brilhar, para aparecer. Você quer ficar ao meu lado, pois sabe que quando avisto uma estrela no céu, olho fundo em seus olhos e digo, sorrindo: “eu amo você”.
Te ter aqui comigo é a realização de meu sonho!
Infelizmente, continuo apenas sonhando, acordado ou dormindo, e sempre me deparando com a realidade atormentadora em que vivo.
Você é meu amor perfeito, o triste de tudo, é que ainda não te conheci...
Raul Sobral Júnior
sábado, 28 de janeiro de 2012
Um texto bem antigo
Decidi ser feliz, mesmo que isso custe rir de mim mesmo
Decidi que serei bem sucedido, mas isso não quer dizer necessariamente que terei muito dinheiro
Decidi que irei fazer o que gosto, por que sou eu quem sofrerei, se a escolha for a errada
Decidi viver minha vida, já que no fim, só se pode contar plenamente com Deus
Decidi viver em função de meus amigos, e sei que meu melhor amigo é Deus, e Ele apenas deseja que eu seja importante pra mim mesmo
Decidi amar com tudo que sou, mesmo que o amor só dure uma semana, e com permissão ou não, por que isso não é uma escolha
Decidi viver o hoje, pois o ontem não existe mais, e o amanhã não existe, nem nunca existiu
Decidi que deixarei que me amem, mesmo que só minha mãe o faça
Decidi que serei bem sucedido, mas isso não quer dizer necessariamente que terei muito dinheiro
Decidi que irei fazer o que gosto, por que sou eu quem sofrerei, se a escolha for a errada
Decidi viver minha vida, já que no fim, só se pode contar plenamente com Deus
Decidi viver em função de meus amigos, e sei que meu melhor amigo é Deus, e Ele apenas deseja que eu seja importante pra mim mesmo
Decidi amar com tudo que sou, mesmo que o amor só dure uma semana, e com permissão ou não, por que isso não é uma escolha
Decidi viver o hoje, pois o ontem não existe mais, e o amanhã não existe, nem nunca existiu
Decidi que deixarei que me amem, mesmo que só minha mãe o faça
Decidi viver por mim mesmo, por que sou o único que concerteza estarei comigo até o final...
Enfim, assumo: só sei viver apaixonado! Pode ser por um livro, por uma música, por uma personagem, por uma flor, por alguém... e pode até ser daquelas que tem graça apenas por existirem, uma paixão por tudo e por nada, ao mesmo tempo. É paixão pela paixão! Dessas onde não se corre o risco de ser rejeitado, de ser magoado. Dessas onde a única dor é a dor de amar..
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Faz de Conta
Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio: FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO
Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou um ator, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.
Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.
Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.
Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.
Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.
Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinado com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.
Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.
Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy: FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI !!
... nem fazer de conta eu consigo.
Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou um ator, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.
Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.
Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.
Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.
Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.
Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinado com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.
Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.
Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy: FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI !!
... nem fazer de conta eu consigo.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Sonhos morrem?
Tic-tac, vai e vem
Passa hora, o que é que tem?
Perco o sono, mas tudo bem
o que sera que assim me mantém?
Tarde da noite, pensando sozinho
Caio sempre, no velho vazio
Seguindo em frente, o mesmo caminho
Deve ser isso, coisa do destino
Um dia quem sabe, descanso terei
direi que o que busco enfim encontrei
Até esse dia sorrindo estarei
Mesmo sabendo que não mais te verei
A vida e isso, é mais ou menos assim
Confia em ti mesmo, por que lá no fim
Por mais que me importe, com os outros enfim
Só feridas e magoas, é o que trouxeram pra mim
Passa hora, o que é que tem?
Perco o sono, mas tudo bem
o que sera que assim me mantém?
Tarde da noite, pensando sozinho
Caio sempre, no velho vazio
Seguindo em frente, o mesmo caminho
Deve ser isso, coisa do destino
Um dia quem sabe, descanso terei
direi que o que busco enfim encontrei
Até esse dia sorrindo estarei
Mesmo sabendo que não mais te verei
A vida e isso, é mais ou menos assim
Confia em ti mesmo, por que lá no fim
Por mais que me importe, com os outros enfim
Só feridas e magoas, é o que trouxeram pra mim
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Broken Angel
Eu tenho saudades
do tempo em que acreditava
das palavras que dizia
dos textos qeu escrevia...
Lembro como se ainda
estivessse aqui junto
agarrado em memórias tolas
que levadas foram como folhas
E ainda tento esquecer
só do que, não tenho certeza
era algo importante?
ou você fez insignificante...?
Sigo com a sensação
e sobrevivo cada dia
"a vida é mesmo assim"
não basta nunca o melhor de mim
Lembro as vezes do que passou
parece ser de outra vida
mas mesmo ali não era eu
e só por isso que doeu
resta a dor amena
queimando em fogo brando
gerado por estar com saudade
e o erro foi sinceridade
e o anjo depedaçado
se debate tentando voar
mas sem asas não se ergue
sem forças nada consegue
e essa memórias que vem e vão...
um dia deseparecerão...
junto com você...
que sei, nao irei esquecer...
pela dor que me causou...
Mas tudo que vai volta...
...
do tempo em que acreditava
das palavras que dizia
dos textos qeu escrevia...
Lembro como se ainda
estivessse aqui junto
agarrado em memórias tolas
que levadas foram como folhas
E ainda tento esquecer
só do que, não tenho certeza
era algo importante?
ou você fez insignificante...?
Sigo com a sensação
e sobrevivo cada dia
"a vida é mesmo assim"
não basta nunca o melhor de mim
Lembro as vezes do que passou
parece ser de outra vida
mas mesmo ali não era eu
e só por isso que doeu
resta a dor amena
queimando em fogo brando
gerado por estar com saudade
e o erro foi sinceridade
e o anjo depedaçado
se debate tentando voar
mas sem asas não se ergue
sem forças nada consegue
e essa memórias que vem e vão...
um dia deseparecerão...
junto com você...
que sei, nao irei esquecer...
pela dor que me causou...
Mas tudo que vai volta...
...
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Vai passar...
"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim – nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente – e não importa – essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás – aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- … mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca …
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente – e não importa – essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás – aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- … mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca …
- Caio F. Abreu
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